F1 e FIA recebem orientação para manter voz independente antes de reuniões decisivas

Entidades são instruídas a atuar de forma neutra nas discussões pré-GP de Miami

Bernie Collins e Karun Chandhok destacaram soluções possíveis e desafios estruturais no processo de decisão para as importantes reuniões de abril entre FIA, F1 e as equipes, com foco nas regras de 2026 em análise intensa.

As discussões, já agendadas durante o inesperado intervalo de primavera, surgem após o forte acidente de Oliver Bearman no GP do Japão, que aumentou a pressão sobre o desempenho e segurança dos carros atuais.

A Comissão de F1 se reúne nesta sexta-feira, 9 de abril, com outras sessões regulatórias previstas antes do GP de Miami, no início de maio.

O debate deve abordar preocupações crescentes sobre o uso da energia, velocidades de aproximação e dirigibilidade no contexto das novas regras para as unidades de potência.

Na Sky Sports F1, após o acidente do piloto da Haas em Suzuka, Collins relatou que as discussões atuais têm se concentrado mais no desempenho em classificação do que em condições de corrida.

“Há muita discussão. Na verdade, acho que o foco tem sido em como melhorar o rendimento na classificação.”

Collins apontou que uma das opções é reduzir a quantidade de bateria que pode ser carregada durante as voltas, o que seria um retorno ao sistema do ano passado e reduziria o tempo total das voltas, algo nem sempre positivo.

Collins destacou também que aumentar o fluxo de combustível poderia ser uma saída para reequilibrar as características das unidades de potência, devolvendo prioridade ao motor de combustão interna.

“Você poderia aumentar o fluxo de combustível, fazendo o motor produzir mais potência, voltando a um tipo de corrida mais próximo do ano passado, sem uma diferença tão grande nas velocidades de aproximação, pois não precisariam coletar tanta energia para a bateria.”

Quais são os desafios?

Collins alertou que o aumento do fluxo de combustível não impactaria todas as equipes de forma igual, gerando questões sobre a equidade competitiva.

“O problema é que isso não afetaria todas as equipes igualmente. Algumas teriam mais capacidade de adaptação que outras, pois usam combustíveis diferentes. Algumas não teriam o sistema de radiadores adequado, o motor pode não reagir bem, o tanque de combustível para a corrida pode não ser grande o suficiente. São muitas dificuldades.”

Collins ainda ressaltou que na Comissão de F1 as equipes sempre apresentarão propostas alinhadas aos próprios interesses competitivos.

“Todo mundo vem com sua agenda. Claro que queremos melhorar as corridas e aumentar a segurança, que deve ser a prioridade. Mas cada equipe sabe se terá vantagem ou desvantagem nas regras que propõe… isso é inevitável.”

As declarações reforçam críticas recentes de Carlos Sainz, que alertou sobre a possibilidade de preocupações dos pilotos serem deixadas de lado em meio a pressões políticas e competitivas na governança do esporte.

Karun Chandhok reforçou a importância de uma supervisão independente mais forte pelas entidades reguladoras.

“Por isso é fundamental uma voz forte e independente. O que se espera é que a FIA e a F1 sejam essa voz neutra… Seguindo o ponto da Bernie, precisa ser uma voz neutra e suficiente forte para apresentar ideias aqui.”

O calendário da Fórmula 1 para 2026 segue sem alterações, tendo o GP de Miami marcado para 3 de maio, com novas reuniões regulatórias definidas para o intervalo antes da prova norte-americana.

Esses encontros serão decisivos para ajustes que possam equilibrar o desempenho e a segurança dos carros na nova era das unidades de potência.

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