No GP de Singapura, Red Bull e Ferrari apostam em setups diferentes do tradicional para otimizar desempenho na pista
Foto: Rudy Carezzevoli / Getty Images
O Sprint Qualifying do GP de Singapura surpreendeu ao mostrar escolhas técnicas distintas na configuração dos carros, especialmente entre Red Bull e Ferrari, que apostaram em soluções contrárias ao que o circuito tradicionalmente exige.
Max Verstappen, assim como na etapa anterior da Malásia, não usou o pacote aerodinâmico mais carregado da Red Bull RB22. Ao invés disso, focou no equilíbrio do carro, privilegiando a estabilidade traseira e a precisão nas entradas de curva, características aprimoradas com as atualizações recentes da equipe.
Ferrari seguiu linha similar, optando por uma configuração de alta downforce menos extrema que a utilizada em etapas como a da Hungria, abandonando elementos extras de asa traseira. A decisão foi embasada em simulações que indicaram que a eficiência em reta seria mais vantajosa, dada a evolução do assoalho e difusor aplicados recentemente.
“A escolha partiu dos dados de simulação da configuração-base, que levaram os engenheiros da Ferrari a priorizar a eficiência em linha reta, considerando que a carga gerada pelo novo assoalho e difusor já era suficiente para o circuito de Marina Bay,“ explicou Paolo Filisetti ao RacingNews365.
A importância da gestão de energia em Singapura
Com as regras atuais da Fórmula 1, a gestão de energia passou a ser tão decisiva quanto o tradicional foco em downforce máxima no circuito de rua. Embora a tração ainda seja essencial para controlar o desgaste dos pneus, a eficiência no uso e deploy de energia durante as retas tornou-se um fator-chave para os tempos de volta.
Prova disso é a diferença entre os dois Mercedes: enquanto Kimi Antonelli manteve o pacote de alta downforce usado na Malásia, enfrentando problemas de equilíbrio e subesterço, George Russell preferiu uma configuração com menos carga aerodinâmica, apostando na eficiência e ganhando melhor equilíbrio.
Assim, tanto a Red Bull quanto a Ferrari demonstraram que dar crédito à “lógica ultrapassada“ de apenas carregar o carro com o máximo de downforce não é o caminho ideal para Singapura, um traçado único que valoriza o equilíbrio entre carga aerodinâmica e eficiência energética.
Próximos passos na temporada
O GP de Singapura, marcado para o dia 11 de outubro, segue a tendência do calendário 2026 da Fórmula 1, em que as características específicas de cada circuito obrigam as equipes a constante adaptação técnica. Após Singapura, as programações incluem os GPs dos Estados Unidos, México, Brasil, Las Vegas e Qatar, todos exigindo diferentes estratégias e acertos em pista.
