Fernando Alonso / Foto: BY COURTESY OF PIRELLI

Há 18 anos, o ‘Crashgate’ chocava a Fórmula 1 no 1º GP de Singapura

Vitória de Alonso em 2008 foi manchada por falcatrua envolvendo Piquet Jr. e a Renault

Foto: BY COURTESY OF PIRELLI

Há 18 anos, a Fórmula 1 assistiu a uma das corridas mais marcantes e polêmicas de sua história: o primeiro GP de Singapura, disputado sob as luzes artificiais do circuito de rua de Marina Bay.

Fernando Alonso venceu a prova largando apenas na 15ª posição, beneficiado por uma estratégia e circunstâncias extraordinárias. Ele largou com o tanque de combustível leve e realizou uma parada precoce na 12ª volta. Logo depois, o companheiro de equipe Nelson Piquet Jr. bateu propositalmente no muro na curva 17, o que provocou a entrada do safety car.

Naquele momento, pela regra vigente em 2008, os boxes estavam fechados para carros que já estavam na pista antes da entrada do safety car, prejudicando vários adversários à frente de Alonso, que pitaram sob a bandeira amarela e receberam punições. O espanhol voltou líder e não precisou ultrapassar nenhum rival até a bandeirada. Nico Rosberg ficou em segundo, seguido por Lewis Hamilton.

Por um ano, a vitória de Alonso foi aceita normalmente, até que Piquet Jr. foi demitido pela Renault em 2009 e denunciou a trama que envolvia o então diretor técnico Pat Symonds e o chefe da equipe Flavio Briatore. Eles supostamente ordenaram a batida planejada exatamente no ponto da pista onde o resgate seria mais difícil e garantiria a entrada do safety car, facilitando a vitória de Alonso.

Tecnologicamente, as telemetrias corroboraram a versão de Piquet, mostrando que ele manteve o acelerador antes da batida, configurando controle deliberado.

No dia 21 de setembro de 2009, o Conselho Mundial anunciou a desqualificação da Renault do campeonato, com punições suspensas por dois anos. Briatore recebeu uma suspensão vitalícia na Fórmula 1, enquanto Symonds foi banido por cinco anos. Piquet foi perdoado por sua cooperação, e Alonso foi oficialmente inocentado de saber do esquema.

Mais tarde, em 2010, um tribunal francês anulou as suspensões por questões processuais, e Briatore e Symonds firmaram um acordo para ficarem longe das funções operacionais até o final de 2012.

Uma das consequências práticas da revelação foi a mudança na regra do pit lane durante safety car: a antiga regra que fechava os boxes foi abolida em 2009, dando lugar a um sistema de ritmo reduzido para evitar trapaças semelhantes.

Até hoje, permanece a dúvida sobre quem propôs o plano da batida: se foi Piquet Jr. por pressão da equipe, ou se a ideia partiu dos chefes da Renault.

O episódio, conhecido como ‘Crashgate’, mudou profundamente a percepção de integridade da Fórmula 1 e permanece como uma das maiores crises éticas da categoria.

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