A etapa foi realizada com os boxes das equipes a céu aberto após o ciclone da noite de quinta-feira na região central do Rio Grande do Sul, com corrida reduzida para duas horas e transferida de sábado para domingo
Superando um fim de semana de adversidades, Victor Manzini e Yuri Alves, pilotos da Equipe Roberto Manzini Centro Pilotagem (RMCP) que dividiram o New Onix #34 na 1ª etapa da Copa Endurance da Turismo Nacional, terminaram a corrida de duas horas no Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul em 11º lugar entre 30 carros, na manhã de domingo, 9, em evento conjunto com a Stock Car no Rio Grande do Sul.
Que corrida pegada foi essa da Turismo Nacional em Santa Cruz do Sul! Saímos de 24º para 11º! Foi muito incrível o trabalho que a equipe fez, a estratégia que a equipe montou. Foi sensacional! A gente conseguiu evoluir desde os treinos e o classificatório, e teve um ótimo salto da classificação para a corrida. Quero parabenizar a equipe e agradecer muito pelo empenho que todos tiveram para enfrentar a situação dos boxes e para melhorar o carro. Estou muito feliz com o resultado!
Mau tempo – A performance de Victor e Yuri teve sabor de evolução no contexto que começou com vendaval e chuva pesada na noite de quinta-feira, 6, derrubando as tendas onde estavam instalados os boxes da TN, além da cobertura dos camarotes sobre os boxes de concreto.
Na sexta-feira, 7, a Vicar, dona das categorias do evento, fechou o autódromo para reorganizar a estrutura, e as equipes da TN toparam realizar a etapa com os boxes – dos quais só restou o chão – a céu aberto, pois não havia tempo hábil para comprar e montar as tendas novamente. Fez bastante frio, mas o sábado e o domingo foram ensolarados.
Os quatro treinos previstos para sexta-feira foram reduzidos a três, um no fim da sexta e dois no sábado, que terminou com a tomada de tempo para o grid de largada da corrida de três horas que seria realizada naquela tarde, mas foi encurtada para duas horas e transferida para as 7h28 da manhã do Dia dos Pais.
Bom de guiada, ruim de freada – No box da Equipe Manzini a adversidade veio dos freios, que não funcionaram bem como deveriam durante os treinos no exigente circuito com aclives e declives do terreno e 14 curvas, seis para a esquerda e oito para a direita, de baixa, média e altíssima velocidade. E durante o qualifying, feito por Victor, o carro começou a tremer.
No sábado à noite, a gente identificou uma fissura na manga de eixo dianteira direita. Isso havia provocado um defeito intermitente que dificultou a identificação do problema dos freios. Das 14 curvas, seis são à esquerda, sendo três de alta e de raio longo. Quando o carro apoiava o eixo dianteiro direito, o pneu não se apoiava por inteiro no chão, reduzindo a área de contato e, consequentemente, perdendo aderência. Por isso a dificuldade em domar o carro nos treinos. Estávamos bem de guiada, rápidos, mas estava faltando de freada
conta Victor Manzini, que corre com patrocínio da Roberto Manzini Blindagens e da Autlog.
A diferença no carro se viu ao longo da prova de duas horas, em que o #34 chegou ao fim inteiro, sem envolvimento em acidentes e incidentes.
Victor largou da 24ª posição, guiou o New Onix #34 na primeira metade da corrida e entregou o carro na 11ª posição para Yuri Alves, que assumiu o cockpit no segundo pit stop obrigatório de pelo menos cinco minutos, fez a terceira parada obrigatória e levou o #34 até o fim da prova, depois de algumas voltas na 9ª posição.
O domingo foi o melhor dia da etapa!
O pessoal da equipe trabalhou forte na noite de sábado para deixar o carro pronto para nós! Na corrida, conseguimos ter ritmo mais próximo do pelotão da ponta do que nos treinos e dar uma boa escalada. Gostei muito de fazer essa prova com o Victor. Corrida de endurance é bom demais!
vibra Yuri Alves, que pela segunda vez foi parceiro de Victor em endurance da TN.
Harmonia – À distância, de São Paulo, Roberto Manzini, comandante da escola RMCP e chefe da Equipe Manzini, acompanhou e orientou o trabalho: “Eu me orgulho da nossa equipe, pela forma como enfrentou os problemas que ocorreram nesta etapa. Trabalharam no relento. Perdemos alguns equipamentos e ferramentas. Uma fissura de manga de eixo com sintoma inconstante que ainda não havia nos acontecido é para fundir a cabeça de pilotos, engenheiros e mecânicos. Além da perda de velocidade e tempo, esse problema fez com que os pilotos não pudessem pilotar usando de toda a técnica. E, apesar disso tudo, todos trabalharam em harmonia”.
Roberto Manzini enaltece também a forma como Lincoln Oliveira, CEO da Vicar, administrou a destruição da estrutura dos boxes da TN provocada pelo mau tempo na quinta-feira: “Ele liderou muito bem a situação. Agiu preventivamente, mandou evacuar o autódromo antes que o vendaval e a tempestade chegassem, e só liberou os trabalhos após vistoria de segurança. Isentou as equipes de pagamento do kit de power train e da taxa de inscrição nesta etapa, o que ajudará todas a cobrir prejuízos financeiros que tiveram. Foi uma atitude que eu ainda não havia visto no automobilismo brasileiro!”.
Próxima parada – A Turismo Nacional voltará à pista para sua 5ª etapa – a 4ª do Campeonato Sprint, que com a Copa Endurance compõe o Campeonato Overall – no Circuito dos Cristais, em Curvelo (MG), de 3 a 6 de setembro.
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Foto: Vanderley Soares
