EXCLUSIVO! Saiba tudo sobre a punição que tirou a vitória de Rafael Suzuki na Stock Car

Piloto e equipe foram duramente punidos pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA)

“É por vocês e para vocês”, disse Rafael Suzuki, pelo rádio, ao oferecer a vitória à sua equipe, a TMG Racing, ainda dentro do carro, no último domingo (5). Já no ponto mais alto do pódio no Velocitta, Suzuki celebrou seu primeiro triunfo na temporada, o quarto de sua carreira na Stock Car, imitando o gesto emblemático de Bebeto na Copa do Mundo de 1994, revelando a gravidez de sua esposa, Mariana Viegas, manager da carreira do piloto.

“Eu prometi a ela que faria o gesto se vencesse. É muito especial dedicar essa vitória não só para a Mariana, mas para toda a minha família, para a equipe e todos os nossos parceiros. A gente sempre está brigando entre os cinco, os 10, mas faltava essa vitória”, disse Suzuki.

Foi um final de semana perfeito para o piloto, que também levou o prêmio de Man of The Race por ter coletado o maior número de pontos (112) ao longo da etapa. Além da vitória, Suzuki fez a pole position e obteve o nono lugar na corrida sprint. Mas ninguém esperava o que viria a seguir.

Piloto Rafael Suzuki no pódio, segurando um troféu e celebrando sua vitória, com outros competidores aplaudindo ao fundo.

O documento #56 da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) foi publicado apenas algumas horas após a festa do piloto no pódio, às 19:02, e seu conteúdo caiu como uma bomba. Rafael Suzuki foi desclassificado da corrida principal e, consequentemente, perdeu a vitória obtida na pista, além de ser multado em 100 UPs. A TMG Racing também sofreu sanções: à partir da próxima etapa, a equipe será reposicionada no último box até o final da temporada; adicionalmente, terá de pagar multa de R$ 50.000,00 nos próximos dois finais de semana em que o carro de Rafael Suzuki for inscrito, mesmo que outro piloto venha a substituí-lo.

“A TMG Racing discorda da desclassificação, que, segundo comunicado da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), se deu por infração ao artigo 4.6 do regulamento técnico da categoria […]. Fica evidente que a equipe não feriu o artigo […]. Lamentamos profundamente pelo Rafael Suzuki, que fez uma corrida brilhante […].”, publicou a TMG Racing em suas redes sociais.

Uma fonte ouvida pelo Relargada, que prefere não se identificar, revelou que, apesar de ser proibida por regulamento a utilização de quaisquer tipos de materiais para alteração de fluxo de ar no carro, como fitas e/ou colas de silicone, várias equipes vinham adotando esta prática, o que levou a CBA a orientar todos os times durante a sétima etapa, no Velocitta, no dia 27 de setembro, sobre a proibição.

“Fica expressamente proibido qualquer alteração que venha aumentar, diminuir, redirecionar ou otimizar as entradas e saídas de ar presentes / junto à superfície da carroceria”, diz o item 4.6 do regulamento.

Um termo de aceite ao item acima foi assinado por todas as equipes, inclusive a TMG Racing. O Relargada teve acesso ao documento assinado pelas equipes junto à CBA, mas não obteve autorização para a divulgação do mesmo.

Ainda de acordo com a fonte, o objetivo da utilização de fitas e/ou colas de silicone na carroceria e no assoalho do carro seria a tentativa de melhorar o fluxo de ar, e obter ganhos de performance.

“O assoalho, principalmente neste novo carro, é muito importante aerodinamicamente falando. Por haver algumas frestas no mesmo, a utilização de fitas/colas de silicone é feita para tentar melhorar o fluxo de ar na região. É difícil quantificar quanto ganho em performance é obtido, mas se não fosse uma prática proibida, todas as equipes fariam”, disse.

Carro de corrida da Stock Car, número 8, durante uma volta na pista, com vegetação colorida ao fundo.

A CBA confirmou que o chefe de equipe da TMG Racing, Thiago Meneghel, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Automobilismo contra as punições recebidas. Se perder na primeira instância, que é a Comissão Disciplinar do STJDA, a equipe poderá ainda recorrer à última instância, que é o Pleno do STJDA. Se perder novamente, poderá apelar à justiça comum. Não há prazo para a realização do julgamento.

Veja abaixo o conteúdo do documento da CBA e também a nota oficial da TMG em resposta à confederação

Documento da CBA

Fato: Durante a vistoria técnica realizada após a 2ª prova, foi evidenciado no assoalho do carro de numeral 8 (Rafael Suzuki) a utilização de fita adesiva e silicone para vedação entre o splitter e o assoalho central, entre o assoalho central e os assoalhos externos e entre o assoalho externo e o difusor. Existe um vídeo em poder dos comissários técnicos que mostra a utilização de silicone para vedação do vão entre o assoalho central e difusor. As equipes tomaram ciência durante a sétima etapa que não seria permitido utilizar fitas, silicones ou EVA com a finalidade de aumentar, diminuir, redirecionar ou otimizar as entradas e saídas de ar presentes junto à superfície da carroceria segundo o artigo 4.6 do regulamento técnico da categoria. O comunicado realizado durante a sétima etapa foi anexado na pasta de prova da oitava etapa através do Comunicado Técnico 01 – 2025.

Decisão: Os Comissários Desportivos, após o recebimento do comunicado técnico 02, decidem penalizar o piloto Rafael Hideo Suzuki – #8, com a desclassificação da Corrida 2, multa de 100 (cem) UP’s e adicionalmente a inscrição será de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) nas próximas duas etapas em que a equipe vier inscrever o carro para o mesmo piloto ou qualquer outro que venha substituí-lo. No evento seguinte a Equipe será reposicionada no último box e permanecerá neste até o último evento da temporada. A multa deverá ser paga antes da próxima atividade em que o piloto venha a participar.

Fundamento: Código Desportivo do Automobilismo ‘Art. 83, 140 e 140.3’ / Regulamento Desportivo da Categoria – ‘Art. 4.8 (parágrafo segundo) e Art. 15’

Nota Oficial da TMG

A equipe TMG Racing tomou conhecimento, na noite deste domingo (5), da desclassificação do piloto Rafael Suzuki, vencedor com méritos e na pista da segunda corrida da oitava etapa da temporada da Stock Car.

A TMG Racing discorda da desclassificação, que, segundo comunicado da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), se deu por suposta infração ao artigo 4.6 do regulamento técnico da categoria, que diz: “Fica expressamente proibido qualquer alteração que venha aumentar, diminuir, redirecionar ou otimizar as entradas e saídas de ar presentes/junto a superfície da carroceria.”

Fica evidente que a equipe não feriu o artigo acima, porque, apesar da diferença das dimensões das peças fornecidas, a equipe não fez qualquer alteração no assoalho do carro, tendo apenas um adesivo colado na superfície da peça como mostra o vídeo deste post.

Lamentamos profundamente pelo Rafael Suzuki, que fez uma corrida brilhante, e nos desculpamos com o piloto e seus patrocinadores.

Agora, a TMG Racing vai buscar na Justiça a reparação desse enorme dano.

Próxima etapa da Stock Car

A próxima etapa da Stock Car acontece entre os dias 23 e 26 de outubro, em Campo Grande (MS).

Fotos: Renato Mafra e Marcelo Machado de Melo

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