Foto: Fernanda Freixosa/Divulgação

Problemas com novos carros não são novidade na Stock Car

Foto: Fernanda Freixosa/Divulgação

A categoria também sofreu, em 2009, na transição para os novos protótipos JL-G09.

O Autódromo Zilmar Beux, em Cascavel-PR, vai receber a Stock Car no próximo final de semana, entre os dias cinco e sete de setembro, para a sexta etapa da temporada. Apesar da evolução apresentada em Curvelo-MG no mês passado, uma declaração de Rubens Barrichello ao podcast “Na Ponta dos Dedos” reacendeu a discussão sobre os problemas dos novos carros da categoria.

“Honestamente falando, é uma categoria que não deveria estar correndo este ano, deveria estar correndo ano que vem, porque deveríamos estar testando esses carros, todos os pilotos. Quando você está em uma reta, 7 km mais lento do que alguém que está ganhando, você sabe que alguma coisa está acontecendo. É uma categoria que está muito desequalizada”, disse Rubinho.

Carro de corrida da Stock Car com a numeração 111, pilotado por Rubens Barrichello, fazendo curva em pista, com outros carros ao fundo.
Foto: Magnus Torquato

Barrichello não é o único. Felipe Massa, Gabriel Casagrande e Bruno Baptista, entre outros, também reclamaram publicamente dos novos carros, em mais de uma ocasião. Além dos pilotos, o público também se mostra descontente com os SUVs da categoria, e há quem defenda nas redes sociais a volta dos bólidos anteriores, os protótipos da família JL-G09, presentes na categoria de 2009 a 2024

Se por um lado os antigos carros agradam os fãs da Stock Car, principalmente pelo uso dos motores V8 e das bolhas que imitavam os modelos sedan mais consagrados das montadoras presentes no grid, por outro, seu início não foi isento de falhas, quebras e reclamações por parte dos pilotos.

O modelo JL-G09

Apresentado como um carro mais seguro, mais tecnológico, com melhor aerodinâmica, design mais moderno e custo mais baixo, o JL-G09 tinha um chassis feito com tubos de molibdênio e carroceria de alumínio anti chamas. Com cerca de 1320 kg, motores 8 cilindros em V com 480 cavalos de potência, 6.000 rpm e 5.700 cc (5,7 litros), e pneus radiais Goodyear, os bólidos chegavam a 270 km/h nas retas.

Modelo em 3D do protótipo JL-G09, destacando sua estrutura tubular e componentes internos, apresentado em diferentes cores.
Representação do chassis JL G-09

Os protótipos eram produzidos pela JL Racing, empresa da família Giaffone. Atual piloto da Copa Truck e comentarista da Fórmula 1 na Band, Felipe Giaffone ajudou no desenvolvimento testando os novos carros. Após uma rodada de testes no Autódromo Internacional Nelson Piquet, Felipe se mostrou animado:

“Acho que [o protótipo] ficou melhor a cada teste, pois se tratando de um carro novo, quanto mais andar melhor. Buscávamos falhas que poderiam ter ocorrido na montagem dos carros e pudemos confirmar que precisa ser feito um melhor isolamento térmico interno, para ajudar aos pilotos e aos equipamentos. O calor dentro do carro ainda incomoda um pouco, mas isso é normal em um carro fechado e com motor dianteiro. Acredito que até o início do campeonato as equipes resolverão essa questão sem grandes dificuldades. Além disso, devemos ainda ajustar um pouco a direção hidráulica”, disse.

Não foi o que se viu em Interlagos, na primeira etapa da temporada de 2009.

Ingo Hoffmann testa o JL-G09 - Foto Miguel Costa Jr.
Ingo Hoffmann testa o JL-G09 – Foto Miguel Costa Jr.

Poucos testes e transição traumática

A estreia do JL-G09, no dia 29 de março de 2009, ficou marcada pelos “capôs voadores” e outros problemas ainda mais graves. Dos 31 carros que iniciaram a prova, dez tiveram seus capôs arrancados devido à turbulência gerada pelos bólidos à frente. Um dos prejudicados, Ricardo Zonta, que cruzou a linha de chegada na primeira posição, foi desclassificado e não recebeu a bandeira quadriculada.

“Esses pontos vão fazer muita falta. Vou disputar provas fora do país e perder etapas da Stock”, disse, na época, Ricardo Zonta.

O paranaense atribuiu os problemas aos poucos testes realizados com os novos carros da categoria:

“Recebemos o carro na terça-feira antes da corrida. Ninguém deu mais de dez voltas seguidas. Na corrida, a turbulência de quem está na frente é muito forte, dá a impressão de que poderia quebrar o pára-brisa. Interlagos foi a primeira prova, todos a usaram para testar o carro. Tem várias coisas prejudicando o carro, que, para a próxima etapa, serão resolvidas”, concluiu.

William Starostik, piloto da WA Mattheis Competições naquela temporada, sofreu com um problema ainda mais grave. Devido ao calor excessivo no assoalho do carro, William teve queimaduras nos pés.

“Nos treinos já dava para saber que o carro ia esquentar, mas não dava para imaginar que seria tanto. Coloquei uma tela de amianto nos pés, mas não foi o suficiente”, disse William.

Carro de corrida da Stock Car com a numeração 31, em movimento na pista, apresentando a pintura da equipe Medley Chevrolet.
William Starostik

Eficiência e final feliz na Stock Car

Apesar dos problemas apresentados na primeira etapa, alguns pilotos se mostraram animados com os novos bólidos e confiantes de que os problemas seriam resolvidos já na próxima etapa, em Curitiba. É o caso de Thiago Marques, atual diretor da NASCAR Brasil e piloto da Stock Car na época.

“As mudanças anunciadas foram bem escolhidas. Os três principais vilões em Interlagos não devem voltar a atacar em Curitiba: a alta temperatura interna, os capôs soltos e o cubo de roda frágil”, disse Thiago.

Thiago Marques - Bruno Terena/RF1
Thiago Marques – Bruno Terena/RF1

Para resolver o problema do superaquecimento dos pedais, os carros receberam um novo sistema de escapamento, com saídas pelos dois lados do bólido, e não apenas pelo lado direito como no projeto inicial; e para evitar outro episódio dos “capôs voadores”, as equipes instalaram um novo dispositivo para fixação dos mesmos.

Diferentemente do que se vê na temporada de 2025, que chega à sua sexta etapa sem que os problemas dos novos carros estejam resolvidos, as soluções implementadas em 2009 surtiram efeito, e o que se viu foi uma longa história de 15 anos, entre trocas de bolhas e atualizações, do protótipo JL-G09 na principal categoria do automobilismo brasileiro.

Descubra mais sobre Relargada

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading