Domínio dos Hondas na temporada tem gerado reclamações sobre o BoP dos carros da categoria.
Fotos: Robson Ribeiro
O TCR South America Banco BRB é um dos campeonatos mais importantes do automobilismo brasileiro, e ganhou ainda mais relevância depois que a VICAR, organizadora da categoria, anunciou uma premiação inédita e bastante generosa: o campeão de 2025 terá subsídios – e salário – para correr na Stock Car em 2026.
Com tanto dinheiro em jogo, é natural que a disputa entre pilotos e equipes fique ainda mais acirrada, dentro e fora das pistas, mas é nos bastidores que a categoria está mais agitada. Pedro Cardoso, da PMO Racing, atual campeão do TCR Brasil e do TCR South America, vem falando sobre o domínio dos Hondas desde o início da temporada, e na última etapa Raphael Reis, da W2 ProGP, fez coro ao compatriota.
Em 2025, os carros da Honda têm se destacado muito em relação aos demais. Em seis etapas, os carros da Squadra Martino largaram em P1 e P2 seis vezes. Em duas oportunidades, fizeram o P3 também.
Entre os chefes de equipe da TCR South America, as opiniões estão divididas: há quem ache normal o domínio da Squadra Martino, equipe que ganhou o apoio da rede de postos argentina YPF e da própria Honda, enquanto outras pessoas defendem alterações no BoP (Balance of Performance), equilíbrio de performance em tradução livre.
“A gente vê que o domínio dos Hondas, aqui na América do Sul, está maior do que no mundo todo. Claro, o Honda também é um carro atual, que tem um ano a mais de desenvolvimento em relação ao CUPRA […] mas eu não acho que seja o BoP. Prefiro ver o que vai acontecer no Brasil, mas acho que [fiscalizar os carros] é um trabalho do promotor, da WSC, e dos vistoriadores técnicos da categoria. Acho que eles deveriam ter, mais do que a gente, o interesse de manter a clareza de que está tudo certo” – disse Serafin Jr, da W2 ProGP, equipe que utiliza os carros da CUPRA.
Para Nonô Figueiredo, chefe de equipe da COBRA Racing Team, dona de um Toyota e de um Audi, a Squadra Martino conseguiu reunir bons carros e bons pilotos, e vem fazendo um bom trabalho no acerto e na manutenção dos carros, portanto é natural que tenha os melhores resultados na pista.
“Existe um regulamento, feito pela WSC, uma empresa suíça que controla todos os TCR [do mundo]. Quando você fala dos Hondas, você tem carros bons com pilotos bons, essa é a receita do sucesso, então é mérito deles. [Sobre mexer no BoP] outros carros ganharam corridas também. Quem tem que observar isso é a WSC, e se ela entender que precisa melhorar o BoP para os outros carros, ótimo” – disse Nonô.
O chefe de equipe da PMO Racing, Damián Fineschi, defende que o BoP dos Peugeot da equipe seja revisto. Para o argentino, o domínio dos Hondas, obtido à partir de um pesado investimento financeiro, fere o próprio conceito de uma categoria que preza pelo equilíbrio entre os competidores.
“Eu nunca falei sobre o BoP dos Hondas, e sim da minha própria marca, o Peugeot. [Acredito] que o BoP tem que ajudar os Peugeot a serem competitivos novamente. No ano passado, quando fizemos nossa primeira pole position, mexeram no BoP do nosso carro. [Obviamente] existem coisas que podemos fazer para melhorar a nossa performance. Podemos gastar inúmeros jogos de pneu para desenvolver o carro e voltar a ser competitivos, mas o regulamento busca evitar que se gaste milhões de dólares [para ter um carro competitivo]. Não estamos na Fórmula 1” – disse Fineschi.
Sebastián Martino parece não se importar com as reclamações dos outros competidores, pelo contrário: para o chefe de equipe da Squadra Martino, é bom para a fabricante que os Hondas estejam em pauta, e tenham ainda mais visibilidade dentro e fora da categoria.
“Eu acho esquisito que as pessoas estejam falando do BoP dos Hondas agora, porque ninguém falou no ano passado. O BoP dos Hondas é o mesmo do ano passado. O que mudou é o jeito que estamos trabalhando […] É legal que estejam todos falando dos Hondas, é bom para a marca, para a montadora Honda, porque eles conseguem publicidade de graça” – disse Martino.
