Robert Kubica durante a coletiva de imprensa / Foto: Robson Ribeiro
Robert Kubica protagonizou uma vitória épica na etapa mais famosa do FIA WEC.
Atual campeão das 24 Horas de Le Mans com a Ferrari #83 da AF Corse, Robert Kubica falou à imprensa antes do início da etapa brasileira do FIA WEC, que acontece no Autódromo de Interlagos em São Paulo-SP, entre os dias 11 e 13 de julho. O polonês é conhecido por sua longa carreira no automobilismo, que inclui uma passagem pela Fórmula 1, e também pelo grave acidente que sofreu no dia seis de fevereiro de 2011, quando quase perdeu a vida.
Cansado de falar sobre a vitória épica em solo francês, uma vez que vem sofrendo bastante assédio da imprensa mundial, Kubica deu uma longa resposta quando perguntado quanto à possibilidade de fazer um filme sobre sua vida – uma das maiores histórias de superação do automobilismo e do esporte em geral.
“[No passado eu] fui procurado por algumas empresas, para contar a história do meu acidente e do meu retorno à Fórmula 1. [Na época] eu disse que não, porque achava que ainda tinha mais páginas para escrever na minha carreira. Para ser honesto, eu não sei se faria [um filme].”
“[Agora, com a vitória em Le Mans], muita gente que sequer acompanha o automobilismo me abordou para falar sobre isso [fazer um filme], e sobre o quão dramática é a minha história. Acho legal que isso tenha extrapolado o mundo do esporte, é algo que vai além dos resultados de um piloto na pista, infelizmente, e digo infelizmente porque eu preferiria nunca ter passado por aquele acidente.”
Robert Kubica disputava uma prova de rali em Andorra, apenas por hobby, quando sofreu um acidente violento. O guard rail entrou pela porta do carro e quase decepou o braço do piloto, que perdeu muito sangue e correu perigo de morte. Em cirurgia que durou mais de sete horas, os médicos conseguiram salvar a vida de Kubica sem amputar seu braço, mas houve sequelas e seus movimentos ficaram limitados.
Kubica, que na época do acidente era um dos pilotos mais importantes do grid, retornou à Fórmula 1 sete anos depois, em 2018, como piloto de testes da da Williams, após uma longa e sofrida recuperação.
“Minha vida mudou em vários aspectos [depois do acidente]. Consegui voltar ao esporte e recuperar minha saúde mental, fazer coisas que eu gostava quando era criança, e esse é o aspecto que eu gostaria de ressaltar.”
“Acredito que muitas vezes nós passamos por dificuldades e colocamos limites em nós mesmos. Nosso cérebro é muito mais poderoso do que a gente imagina. Nós, como seres humanos, somos capazes de fazer coisas realmente incríveis, mas não é fácil, é uma luta interna muito grande. Acho que eu poderia ajudar com isso [ao dividir a minha história].”
